Clomipramina + Fluconazol
⚠O que acontece
Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms, com risco de torsades de pointes, especialmente em pacientes com fatores de risco (hipocalemia, bradicardia, cardiopatia).
⚙Mecanismo
Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais hERG (IKr). A clomipramina tem IC50 ~1-5 µM, e o fluconazol inibe o canal com IC50 ~10-50 µM, sendo um bloqueador moderado. O fluconazol é um inibidor moderado da CYP2C9 e CYP3A4, e fraco da CYP2D6, podendo aumentar os níveis de clomipramina (metabolizada por CYP2D6 e CYP1A2) de forma indireta, elevando o risco de cardiotoxicidade. O efeito aditivo no QT é dose-dependente, com maior risco em doses altas de fluconazol (>400 mg/dia) ou em insuficiência renal (acúmulo).
📋Conduta Clinica
Evitar a associação. Se indispensável: 1) ECG basal e calcular QTc; 2) Corrigir eletrólitos: K+ ≥4,0 mEq/L, Mg2+ ≥2,0 mg/dL; 3) Usar a menor dose eficaz de fluconazol (máx. 200-400 mg/dia) e ajustar para função renal (ClCr <50 mL/min: reduzir dose em 50%); 4) Reduzir dose de clomipramina em 25-50% e monitorar níveis; 5) Repetir ECG após 1-2 semanas e a cada 3 meses; 6) Suspender se QTc >500 ms ou sintomas.
🔍O que monitorar
ECG com QTc basal e seriado; eletrólitos (K+, Mg2+, Ca2+) basal e a cada 2-4 semanas; função renal (creatinina, ClCr); níveis de clomipramina; sinais de arritmia.
↺Alternativas
Substituir fluconazol por antifúngico sem efeito no QT: terbinafina (dermatófitos), itraconazol (com cautela, pois também prolonga QT) ou equinocandinas; substituir clomipramina por ISRS sem efeito no QT (sertralina, escitalopram).
📚Referências
CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Stockley's Drug Interactions 2024
Perguntas Frequentes
Pode tomar Clomipramina com Fluconazol?
A combinação de Clomipramina com Fluconazol apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms, com risco de torsades de pointes, especialmente em pacientes com fatores de risco (hipocalemia, bradicardia, cardiopatia). Evitar a associação. Se indispensável: 1) ECG basal e calcular QTc; 2) Corrigir eletrólitos: K+ ≥4,0 mEq/L, Mg2+ ≥2,0 mg/dL; 3) Usar a menor dose eficaz de fluconazol (máx. 200-400 mg/dia) e ajustar para função renal (ClCr <50 mL/min: reduzir dose em 50%); 4) Reduzir dose de clomipramina em 25-50% e monitorar níveis; 5) Repetir ECG após 1-2 semanas e a cada 3 meses; 6) Suspender se QTc >500 ms ou sintomas.
Clomipramina e Fluconazol interagem?
Sim, Clomipramina e Fluconazol possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos prolongam o intervalo qt por bloqueio dos canais herg (ikr). a clomipramina tem ic50 ~1-5 µm, e o fluconazol inibe o canal com ic50 ~10-50 µm, sendo um bloqueador moderado. o fluconazol é um inibidor moderado da cyp2c9 e cyp3a4, e fraco da cyp2d6, podendo aumentar os níveis de clomipramina (metabolizada por cyp2d6 e cyp1a2) de forma indireta, elevando o risco de cardiotoxicidade. o efeito aditivo no qt é dose-dependente, com maior risco em doses altas de fluconazol (>400 mg/dia) ou em insuficiência renal (acúmulo).. A conduta recomendada é: evitar a associação. se indispensável: 1) ecg basal e calcular qtc; 2) corrigir eletrólitos: k+ ≥4,0 meq/l, mg2+ ≥2,0 mg/dl; 3) usar a menor dose eficaz de fluconazol (máx. 200-400 mg/dia) e ajustar para função renal (clcr <50 ml/min: reduzir dose em 50%); 4) reduzir dose de clomipramina em 25-50% e monitorar níveis; 5) repetir ecg após 1-2 semanas e a cada 3 meses; 6) suspender se qtc >500 ms ou sintomas..
Qual o risco de Clomipramina com Fluconazol?
O risco da associação Clomipramina + Fluconazol é classificado como GRAVE. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms, com risco de torsades de pointes, especialmente em pacientes com fatores de risco (hipocalemia, bradicardia, cardiopatia). Monitorar: ecg com qtc basal e seriado; eletrólitos (k+, mg2+, ca2+) basal e a cada 2-4 semanas; função renal (creatinina, clcr); níveis de clomipramina; sinais de arritmia..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
Atualizado em junho/2026
Gerada por motor farmacologico com validacao por IA — Tier B
As informações desta página são de caráter educativo e não substituem a orientação de um profissional farmacêutico. Sempre consulte um farmacêutico antes de alterar sua medicação.