Cisaprida + Verapamil

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms em relação ao basal, com alto risco de torsades de pointes, taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é maior em mulheres, idosos, e na presença de hipocalemia, hipomagnesemia, bradicardia ou insuficiência renal. A inibição do CYP3A4 pelo verapamil pode aumentar a exposição à cisaprida em 2-3 vezes, potencializando o risco.

Mecanismo

Ambos prolongam o intervalo QT por bloqueio dos canais de potássio hERG (IKr). A cisaprida é um potente bloqueador do hERG (IC50 ~0,1-1 μM), com alto risco de prolongamento do QTc e torsades de pointes, razão pela qual foi retirada do mercado em muitos países ou tem uso restrito. O verapamil bloqueia diretamente o hERG (IC50 ~1-5 μM) e também inibe canais de cálcio tipo L, o que pode mascarar o prolongamento do QT no ECG de superfície, mas não reduz o risco de dispersão transmural e arritmias. O efeito aditivo na repolarização ventricular aumenta significativamente o risco de instabilidade elétrica. Além disso, o verapamil inibe o CYP3A4, principal via de metabolismo da cisaprida, aumentando seus níveis plasmáticos e o risco de cardiotoxicidade.

📋Conduta Clinica

Evitar a associação sempre que possível. A cisaprida é contraindicada com fármacos que prolongam QT ou inibem CYP3A4. Se indispensável (em países onde ainda é permitida), realizar ECG basal e monitorar QTc a cada 24-48 horas no início do tratamento e após ajustes de dose. Manter potássio sérico ≥4,0 mEq/L e magnésio ≥2,0 mg/dL. Corrigir distúrbios eletrolíticos antes de iniciar. Evitar outros fármacos que prolonguem QT ou inibidores do CYP3A4. Em caso de QTc >500 ms ou sintomas (síncope, palpitações), suspender a cisaprida imediatamente. Considerar reduzir dose de cisaprida em 50% e monitorar níveis séricos se disponível.

🔍O que monitorar

ECG com medição do QTc (fórmula de Fridericia ou Bazett) antes do início, 24-48 horas após, e semanalmente no primeiro mês. Eletrólitos séricos (K+, Mg2+, Ca2+) no basal e a cada 48-72 horas. Monitorar sinais de arritmia (palpitações, síncope, tontura). Em pacientes com insuficiência renal ou uso de diuréticos, aumentar a frequência de monitorização eletrolítica. Níveis séricos de cisaprida se disponível (alvo <50 ng/mL).

Alternativas

Substituir um dos fármacos por alternativa sem efeito no QT e sem inibição do CYP3A4: para procinético, substituir cisaprida por metoclopramida ou domperidona (com cautela, pois também têm risco de QT, mas menor); para hipertensão/angina, substituir verapamil por nifedipino ou anlodipino, que não prolongam QT e não inibem CYP3A4 significativamente.

📚Referências

CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Lexicomp 2024; FDA Cisaprida Safety Alert

Perguntas Frequentes

Pode tomar Cisaprida com Verapamil?

A combinação de Cisaprida com Verapamil apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms em relação ao basal, com alto risco de torsades de pointes, taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é maior em mulheres, idosos, e na presença de hipocalemia, hipomagnesemia, bradicardia ou insuficiência renal. A inibição do CYP3A4 pelo verapamil pode aumentar a exposição à cisaprida em 2-3 vezes, potencializando o risco. Evitar a associação sempre que possível. A cisaprida é contraindicada com fármacos que prolongam QT ou inibem CYP3A4. Se indispensável (em países onde ainda é permitida), realizar ECG basal e monitorar QTc a cada 24-48 horas no início do tratamento e após ajustes de dose. Manter potássio sérico ≥4,0 mEq/L e magnésio ≥2,0 mg/dL. Corrigir distúrbios eletrolíticos antes de iniciar. Evitar outros fármacos que prolonguem QT ou inibidores do CYP3A4. Em caso de QTc >500 ms ou sintomas (síncope, palpitações), suspender a cisaprida imediatamente. Considerar reduzir dose de cisaprida em 50% e monitorar níveis séricos se disponível.

Cisaprida e Verapamil interagem?

Sim, Cisaprida e Verapamil possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve ambos prolongam o intervalo qt por bloqueio dos canais de potássio herg (ikr). a cisaprida é um potente bloqueador do herg (ic50 ~0,1-1 μm), com alto risco de prolongamento do qtc e torsades de pointes, razão pela qual foi retirada do mercado em muitos países ou tem uso restrito. o verapamil bloqueia diretamente o herg (ic50 ~1-5 μm) e também inibe canais de cálcio tipo l, o que pode mascarar o prolongamento do qt no ecg de superfície, mas não reduz o risco de dispersão transmural e arritmias. o efeito aditivo na repolarização ventricular aumenta significativamente o risco de instabilidade elétrica. além disso, o verapamil inibe o cyp3a4, principal via de metabolismo da cisaprida, aumentando seus níveis plasmáticos e o risco de cardiotoxicidade.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. a cisaprida é contraindicada com fármacos que prolongam qt ou inibem cyp3a4. se indispensável (em países onde ainda é permitida), realizar ecg basal e monitorar qtc a cada 24-48 horas no início do tratamento e após ajustes de dose. manter potássio sérico ≥4,0 meq/l e magnésio ≥2,0 mg/dl. corrigir distúrbios eletrolíticos antes de iniciar. evitar outros fármacos que prolonguem qt ou inibidores do cyp3a4. em caso de qtc >500 ms ou sintomas (síncope, palpitações), suspender a cisaprida imediatamente. considerar reduzir dose de cisaprida em 50% e monitorar níveis séricos se disponível..

Qual o risco de Cisaprida com Verapamil?

O risco da associação Cisaprida + Verapamil é classificado como GRAVE. Prolongamento do QTc >500 ms ou aumento >60 ms em relação ao basal, com alto risco de torsades de pointes, taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. O risco é maior em mulheres, idosos, e na presença de hipocalemia, hipomagnesemia, bradicardia ou insuficiência renal. A inibição do CYP3A4 pelo verapamil pode aumentar a exposição à cisaprida em 2-3 vezes, potencializando o risco. Monitorar: ecg com medição do qtc (fórmula de fridericia ou bazett) antes do início, 24-48 horas após, e semanalmente no primeiro mês. eletrólitos séricos (k+, mg2+, ca2+) no basal e a cada 48-72 horas. monitorar sinais de arritmia (palpitações, síncope, tontura). em pacientes com insuficiência renal ou uso de diuréticos, aumentar a frequência de monitorização eletrolítica. níveis séricos de cisaprida se disponível (alvo <50 ng/ml)..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Sinvastatina

Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.

Grave
Amiodarona + Atorvastatina

Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.

Moderada
Amiodarona + Rosuvastatina

O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.

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Grave

Atualizado em junho/2026

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