Carbamazepina + Sinvastatina
⚠O que acontece
Redução significativa nos níveis de sinvastatina e de seu metabólito ativo (ácido de sinvastatina), com possível perda de eficácia terapêutica (aumento de LDL-colesterol, redução da proteção cardiovascular).
⚙Mecanismo
Carbamazepina é um potente indutor do CYP3A4 (e também do CYP2C9, CYP2C19, CYP1A2 e glicoproteína-P) via ativação do receptor PXR. Sinvastatina é extensamente metabolizada pelo CYP3A4 (mais de 80% da depuração) com biodisponibilidade oral de apenas 5% devido ao metabolismo de primeira passagem. A indução enzimática pela carbamazepina pode reduzir a AUC da sinvastatina em 50-80%, diminuindo significativamente seus níveis plasmáticos e eficácia hipolipemiante.
📋Conduta Clinica
Monitorar perfil lipídico (LDL, HDL, triglicerídeos) 4-6 semanas após início da carbamazepina. Aumentar dose de sinvastatina conforme necessário (até máximo de 80 mg/dia, com cautela por risco de miopatia). Se carbamazepina for descontinuada, reduzir dose de sinvastatina para evitar toxicidade. Considerar uso de sinvastatina à noite para coincidir com pico de síntese de colesterol.
🔍O que monitorar
Perfil lipídico (LDL, HDL, triglicerídeos) a cada 4-6 semanas até estabilização, depois a cada 3-6 meses. TGO/TGP e CK basal e se sintomas musculares (mialgia, fraqueza). Resposta clínica: redução do LDL.
↺Alternativas
Substituir carbamazepina por anticonvulsivante não indutor (ex: lamotrigina, levetiracetam, gabapentina) se possível. Ou substituir sinvastatina por estatina não metabolizada por CYP3A4 (ex: rosuvastatina, pravastatina, pitavastatina) que são menos afetadas por indução enzimática.
📚Referências
Flockhart Drug Interactions Table; UpToDate 2024; Lexicomp 2024; Micromedex 2024
Perguntas Frequentes
Pode tomar Carbamazepina com Sinvastatina?
A combinação de Carbamazepina com Sinvastatina apresenta interação de gravidade moderada. Redução significativa nos níveis de sinvastatina e de seu metabólito ativo (ácido de sinvastatina), com possível perda de eficácia terapêutica (aumento de LDL-colesterol, redução da proteção cardiovascular). Monitorar perfil lipídico (LDL, HDL, triglicerídeos) 4-6 semanas após início da carbamazepina. Aumentar dose de sinvastatina conforme necessário (até máximo de 80 mg/dia, com cautela por risco de miopatia). Se carbamazepina for descontinuada, reduzir dose de sinvastatina para evitar toxicidade. Considerar uso de sinvastatina à noite para coincidir com pico de síntese de colesterol.
Carbamazepina e Sinvastatina interagem?
Sim, Carbamazepina e Sinvastatina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve carbamazepina é um potente indutor do cyp3a4 (e também do cyp2c9, cyp2c19, cyp1a2 e glicoproteína-p) via ativação do receptor pxr. sinvastatina é extensamente metabolizada pelo cyp3a4 (mais de 80% da depuração) com biodisponibilidade oral de apenas 5% devido ao metabolismo de primeira passagem. a indução enzimática pela carbamazepina pode reduzir a auc da sinvastatina em 50-80%, diminuindo significativamente seus níveis plasmáticos e eficácia hipolipemiante.. A conduta recomendada é: monitorar perfil lipídico (ldl, hdl, triglicerídeos) 4-6 semanas após início da carbamazepina. aumentar dose de sinvastatina conforme necessário (até máximo de 80 mg/dia, com cautela por risco de miopatia). se carbamazepina for descontinuada, reduzir dose de sinvastatina para evitar toxicidade. considerar uso de sinvastatina à noite para coincidir com pico de síntese de colesterol..
Qual o risco de Carbamazepina com Sinvastatina?
O risco da associação Carbamazepina + Sinvastatina é classificado como MODERADA. Redução significativa nos níveis de sinvastatina e de seu metabólito ativo (ácido de sinvastatina), com possível perda de eficácia terapêutica (aumento de LDL-colesterol, redução da proteção cardiovascular). Monitorar: perfil lipídico (ldl, hdl, triglicerídeos) a cada 4-6 semanas até estabilização, depois a cada 3-6 meses. tgo/tgp e ck basal e se sintomas musculares (mialgia, fraqueza). resposta clínica: redução do ldl..
Interações Relacionadas
Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.
Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.
O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.
Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.
Atualizado em junho/2026
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