Carbamazepina + Amiodarona

GraveRisco elevado — pode causar dano significativo ao paciente
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O que acontece

Redução significativa nos níveis de amiodarona e desetilamiodarona, com perda de eficácia terapêutica. Risco de recorrência de arritmias potencialmente fatais (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular).

Mecanismo

Carbamazepina é um potente indutor do CYP3A4 (e também do CYP2C8, CYP2C9, CYP2C19, CYP1A2 e glicoproteína-P). Amiodarona é metabolizada pelo CYP3A4 e CYP2C8 a seu metabólito ativo, desetilamiodarona. A indução enzimática pela carbamazepina pode reduzir os níveis plasmáticos de amiodarona em 50-70%, comprometendo sua eficácia antiarrítmica. Além disso, a carbamazepina pode reduzir os níveis do metabólito ativo, que contribui para o efeito terapêutico. Risco de recorrência de arritmias ventriculares ou fibrilação atrial.

📋Conduta Clinica

Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: monitorar níveis séricos de amiodarona (faixa terapêutica: 1,0-2,5 mg/L) e ajustar dose conforme necessário (pode ser necessário aumentar dose 2-3 vezes). Realizar ECG semanal no primeiro mês, depois mensal. Considerar monitoramento com Holter 24h se arritmias ventriculares prévias.

🔍O que monitorar

Nível sérico de amiodarona e desetilamiodarona (basal e a cada 2-4 semanas até estabilização). ECG com QTc semanal no primeiro mês, depois mensal. TGO/TGP, TSH e função pulmonar (espirometria) a cada 6 meses devido à toxicidade cumulativa da amiodarona. Resposta clínica: controle de arritmias.

Alternativas

Substituir carbamazepina por anticonvulsivante não indutor (ex: lamotrigina, levetiracetam, gabapentina) se possível. Ou substituir amiodarona por antiarrítmico alternativo não afetado por indução (ex: sotalol, mas monitorar QT; ou ablação por cateter se indicado).

📚Referências

Flockhart Drug Interactions Table; UpToDate 2024; Lexicomp 2024; Micromedex 2024; Amiodarone FDA Label 2024

Perguntas Frequentes

Pode tomar Carbamazepina com Amiodarona?

A combinação de Carbamazepina com Amiodarona apresenta interação de gravidade grave. Redução significativa nos níveis de amiodarona e desetilamiodarona, com perda de eficácia terapêutica. Risco de recorrência de arritmias potencialmente fatais (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular). Evitar associação sempre que possível. Se indispensável: monitorar níveis séricos de amiodarona (faixa terapêutica: 1,0-2,5 mg/L) e ajustar dose conforme necessário (pode ser necessário aumentar dose 2-3 vezes). Realizar ECG semanal no primeiro mês, depois mensal. Considerar monitoramento com Holter 24h se arritmias ventriculares prévias.

Carbamazepina e Amiodarona interagem?

Sim, Carbamazepina e Amiodarona possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve carbamazepina é um potente indutor do cyp3a4 (e também do cyp2c8, cyp2c9, cyp2c19, cyp1a2 e glicoproteína-p). amiodarona é metabolizada pelo cyp3a4 e cyp2c8 a seu metabólito ativo, desetilamiodarona. a indução enzimática pela carbamazepina pode reduzir os níveis plasmáticos de amiodarona em 50-70%, comprometendo sua eficácia antiarrítmica. além disso, a carbamazepina pode reduzir os níveis do metabólito ativo, que contribui para o efeito terapêutico. risco de recorrência de arritmias ventriculares ou fibrilação atrial.. A conduta recomendada é: evitar associação sempre que possível. se indispensável: monitorar níveis séricos de amiodarona (faixa terapêutica: 1,0-2,5 mg/l) e ajustar dose conforme necessário (pode ser necessário aumentar dose 2-3 vezes). realizar ecg semanal no primeiro mês, depois mensal. considerar monitoramento com holter 24h se arritmias ventriculares prévias..

Qual o risco de Carbamazepina com Amiodarona?

O risco da associação Carbamazepina + Amiodarona é classificado como GRAVE. Redução significativa nos níveis de amiodarona e desetilamiodarona, com perda de eficácia terapêutica. Risco de recorrência de arritmias potencialmente fatais (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular). Monitorar: nível sérico de amiodarona e desetilamiodarona (basal e a cada 2-4 semanas até estabilização). ecg com qtc semanal no primeiro mês, depois mensal. tgo/tgp, tsh e função pulmonar (espirometria) a cada 6 meses devido à toxicidade cumulativa da amiodarona. resposta clínica: controle de arritmias..

Interações Relacionadas

Amiodarona + Sinvastatina

Amiodarona inibe CYP3A4, aumentando AUC de sinvastatina em 100-200%. FDA limitou sinvastatina a 20mg com amiodarona.

Grave
Amiodarona + Atorvastatina

Amiodarona inibe a CYP3A4, enzima primária no metabolismo da Atorvastatina. Embora a Atorvastatina também tenha vias metabólicas secundárias, a inibição da CYP3A4 pela Amiodarona pode aumentar a AUC da Atorvastatina em aproximadamente 1,5 a 2 vezes, um efeito menos pronunciado do que com a Sinvastatina, mas ainda clinicamente relevante.

Moderada
Amiodarona + Rosuvastatina

O mecanismo de interação não é primariamente pela CYP2C9, como afirmado. A Rosuvastatina é minimamente metabolizada (aproximadamente 10%) pela CYP2C9. A interação com Amiodarona é provavelmente multifatorial, envolvendo inibição de transportadores hepáticos como OATP1B1 e BCRP, dos quais a Rosuvastatina é substrato. A Amiodarona pode inibir esses transportadores, reduzindo a captação e excreção hepática da Rosuvastatina, aumentando sua exposição plasmática em cerca de 1,5 a 2 vezes.

Moderada
Amiodarona + Digoxina

Amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp) tanto no intestino quanto nos túbulos renais. A Digoxina é um substrato clássico da P-gp, e sua eliminação depende criticamente deste transportador. A inibição da P-gp pela Amiodarona reduz a secreção tubular renal e o efluxo intestinal da Digoxina, podendo aumentar seus níveis séricos em 70-100%, um efeito de grande magnitude e alta relevância clínica devido ao estreito índice terapêutico da Digoxina.

Grave

Atualizado em junho/2026

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