Anfotericina B + Venlafaxina
⚠O que acontece
Prolongamento do intervalo QTc >500ms ou aumento >60ms da linha de base, com risco de torsades de pointes, taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. Risco aumentado em pacientes com fatores predisponentes: sexo feminino, idade avançada, bradicardia, cardiopatia estrutural, síndrome do QT longo congênito, uso concomitante de outros fármacos que prolongam QT.
⚙Mecanismo
Efeito aditivo no prolongamento do intervalo QT. Anfotericina B pode causar hipocalemia e hipomagnesemia (por nefrotoxicidade), que por si só prolongam o QT e aumentam o risco de torsades de pointes (TdP). Venlafaxina inibe o canal de potássio hERG (IKr), retardando a repolarização ventricular. A combinação de distúrbios eletrolíticos induzidos pela anfotericina B e o bloqueio direto de canais pela venlafaxina resulta em risco significativo de prolongamento do QTc >500ms e TdP. A venlafaxina é listada no CredibleMeds como agente com risco possível de TdP (PR), e a anfotericina B como agente com risco possível (PR) devido a efeitos indiretos via eletrólitos.
📋Conduta Clinica
Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for indispensável (ex.: infecção fúngica grave em paciente com depressão maior sem alternativa terapêutica): 1) Obter ECG basal com QTc antes do início da anfotericina B. 2) Corrigir e manter níveis séricos de K+ ≥4,0 mEq/L e Mg2+ ≥2,0 mg/dL (repor agressivamente se necessário). 3) Iniciar anfotericina B com monitorização cardíaca contínua nas primeiras 24-48h. 4) Repetir ECG diariamente ou a cada 48h durante a coadministração. 5) Suspender imediatamente se QTc >500ms ou aumento >60ms do basal, ou se surgirem sintomas (síncope, palpitações). 6) Considerar reduzir dose de venlafaxina ou trocar para antidepressivo com menor risco de prolongamento QT (ver alternativas).
🔍O que monitorar
ECG com QTc (fórmula de Fridericia ou Framingham) basal e seriado; eletrólitos séricos (K+, Mg2+, Ca2+) diariamente durante uso de anfotericina B; função renal (creatinina, ureia) a cada 48h; sinais clínicos de arritmia (palpitações, síncope, tontura).
↺Alternativas
Substituir venlafaxina por antidepressivo com menor risco de prolongamento QT, como mirtazapina (risco baixo) ou bupropiona (risco baixo). Para anfotericina B, avaliar uso de formulação lipossomal (menor nefrotoxicidade e distúrbios eletrolíticos) ou antifúngico alternativo (ex.: equinocandina) se espectro permitir. Consultar lista atualizada do CredibleMeds (www.crediblemeds.org) para classificação de risco de cada fármaco.
📚Referências
CredibleMeds QT Drug List 2024; Micromedex 2024; UpToDate 2024; Lexicomp 2024
Perguntas Frequentes
Pode tomar Anfotericina B com Venlafaxina?
A combinação de Anfotericina B com Venlafaxina apresenta interação de gravidade grave. Prolongamento do intervalo QTc >500ms ou aumento >60ms da linha de base, com risco de torsades de pointes, taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. Risco aumentado em pacientes com fatores predisponentes: sexo feminino, idade avançada, bradicardia, cardiopatia estrutural, síndrome do QT longo congênito, uso concomitante de outros fármacos que prolongam QT. Evitar a associação sempre que possível. Se o uso concomitante for indispensável (ex.: infecção fúngica grave em paciente com depressão maior sem alternativa terapêutica): 1) Obter ECG basal com QTc antes do início da anfotericina B. 2) Corrigir e manter níveis séricos de K+ ≥4,0 mEq/L e Mg2+ ≥2,0 mg/dL (repor agressivamente se necessário). 3) Iniciar anfotericina B com monitorização cardíaca contínua nas primeiras 24-48h. 4) Repetir ECG diariamente ou a cada 48h durante a coadministração. 5) Suspender imediatamente se QTc >500ms ou aumento >60ms do basal, ou se surgirem sintomas (síncope, palpitações). 6) Considerar reduzir dose de venlafaxina ou trocar para antidepressivo com menor risco de prolongamento QT (ver alternativas).
Anfotericina B e Venlafaxina interagem?
Sim, Anfotericina B e Venlafaxina possuem interação medicamentosa documentada. O mecanismo envolve efeito aditivo no prolongamento do intervalo qt. anfotericina b pode causar hipocalemia e hipomagnesemia (por nefrotoxicidade), que por si só prolongam o qt e aumentam o risco de torsades de pointes (tdp). venlafaxina inibe o canal de potássio herg (ikr), retardando a repolarização ventricular. a combinação de distúrbios eletrolíticos induzidos pela anfotericina b e o bloqueio direto de canais pela venlafaxina resulta em risco significativo de prolongamento do qtc >500ms e tdp. a venlafaxina é listada no crediblemeds como agente com risco possível de tdp (pr), e a anfotericina b como agente com risco possível (pr) devido a efeitos indiretos via eletrólitos.. A conduta recomendada é: evitar a associação sempre que possível. se o uso concomitante for indispensável (ex.: infecção fúngica grave em paciente com depressão maior sem alternativa terapêutica): 1) obter ecg basal com qtc antes do início da anfotericina b. 2) corrigir e manter níveis séricos de k+ ≥4,0 meq/l e mg2+ ≥2,0 mg/dl (repor agressivamente se necessário). 3) iniciar anfotericina b com monitorização cardíaca contínua nas primeiras 24-48h. 4) repetir ecg diariamente ou a cada 48h durante a coadministração. 5) suspender imediatamente se qtc >500ms ou aumento >60ms do basal, ou se surgirem sintomas (síncope, palpitações). 6) considerar reduzir dose de venlafaxina ou trocar para antidepressivo com menor risco de prolongamento qt (ver alternativas)..
Qual o risco de Anfotericina B com Venlafaxina?
O risco da associação Anfotericina B + Venlafaxina é classificado como GRAVE. Prolongamento do intervalo QTc >500ms ou aumento >60ms da linha de base, com risco de torsades de pointes, taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita cardíaca. Risco aumentado em pacientes com fatores predisponentes: sexo feminino, idade avançada, bradicardia, cardiopatia estrutural, síndrome do QT longo congênito, uso concomitante de outros fármacos que prolongam QT. Monitorar: ecg com qtc (fórmula de fridericia ou framingham) basal e seriado; eletrólitos séricos (k+, mg2+, ca2+) diariamente durante uso de anfotericina b; função renal (creatinina, ureia) a cada 48h; sinais clínicos de arritmia (palpitações, síncope, tontura)..
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Atualizado em junho/2026
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